
Enquanto sentados estamos em nossas macias cadeiras a olhar a janela do mundo, essa que chamamos TV, vemos entre um sem números de idiotices e coisas bizarras, de vez em vez, aparecerem falando esses que conhecemos como repórteres.
Eles, quase sem fôlego, tagarelam ao longo dos dias, noites e madrugadas, com caras de quem sabe tudo sobre tudo, fazendo as conexões entre o ontem e o amanhã, golfando o presente, seja este qual for... Estão acima de qualquer suspeita... São aqueles que avisam sempre, com caras de “não te avisei?”.
São os núncios tétricos do mundo cruel... Reis e rainhas de cetros nas mãos, ligados por fio a uma câmera, essa coisa dos infernos, que capta a vida enquanto se vive, transportando-as aos lares do mundo.
Talvez o planeta, sem essa corte da notícia, repito, talvez, fosse o paraíso. Talvez, também, o presente fosse mais longo, menos intenso, menos ligado ao passado e mais esperançoso do futuro. A vida mais lenta, as noites em família, só com nossos problemas... Talvez...
Mas chega de elucubrações. Eles estão aí e, já já, entram no ar e em nossas casas com seus cetros da verdade... E continuarão vomitando a realidade... Sim, vomitando a pôrra dessa realidade.